Falta de emprego é estímulo à violência doméstica contra a mulher

Cerca de 25% das mulheres que sofreram violência durante a pandemia apontaram a perda de emprego e renda e a impossibilidade de trabalhar para garantir o próprio sustento, como os fatores que mais pesaram para essa ocorrência. Outras 61,8%, que sofreram ataques físicos ou psicológicos, relataram diminuição na renda familiar. Os dados fazem parte de uma pesquisa realizada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública Visível e Invisível: A vitimização de Mulheres no Brasil.  

“São dados muito preocupantes e que revelam a importância da autonomia financeira para que as mulheres consigam se desvencilhar dos seus agressores”, disse a deputada estadual Maria Mendonça (PSDB), autora da Lei 8.629/2019, que institui a política de estímulo ao empreendedorismo feminino em Sergipe. “Quando implementamos medidas que estimulam o empoderamento e a independência financeira da mulher, potencializamos a condição dela sair desse tipo de violação”, disse, ressaltando que, de acordo com a pesquisa, o agressor agora não é somente o ex-companheiro ou o atual. “Ele está dentro de casa e pode ser qualquer um familiar". 

Maria destacou que, nesse período de pandemia, o número de casos de agressão cresceu assustadoramente, pois as vítimas ficaram confinadas com seus algozes, muitas vezes dividindo um mesmo cômodo da casa. "Sem emprego e sem outro espaço social, essas mulheres passam mais tempo com o agressor e muitas delas têm medo de denunciar a violência à qual são submetidas, pela precária situação econômica em que se encontram", explicou. 

Para Maria, é preciso encontrar meios para noticiar os abusos e violações para que os agressores sejam punidos com o rigor da lei. "Não podemos continuar com esse cenário de subnotificação. Insisto e continuarei reforçando o poder da denúncia. É algo que pode salvar vidas e mudar realidades sombrias. Por isso, não hesite", pediu a parlamentar, ao citar alguns dos canais que podem ser usados anonimamente e com segurança, como o Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (DEAM), através do telefone 79 3205-94000; Polícia Militar,190; Disque Denúncia,181 e Central de Atendimento à Mulher, 180. 



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