Maria Mendonça diz que 2014 vai ser ano de avaliação da população

Em discurso na sessão desta terça-feira, dia 18, a deputada Maria Mendonça (PP) lembrou que 2014 é o ano em que, os que desejam, se submeterão ao julgamento da população. Como ano eleitoral, será um ano de muitas expectativas, mas, principalmente, um ano onde a avaliação popular vai dar o tom e a cor das atividades parlamentares e da prática política de cada um. “Hora de cada um de nós direcionar o nosso olhar sobre nós mesmos para, com humildade, avaliarmos as nossas práticas, e nos apresentarmos à população como pretensos signatários de mais um mandato eletivo”, disse.

 

Continuar na vida política por entender e acreditar nela como o mais legítimo espaço de construção, defesa e consolidação das liberdades, garantia de direitos e transformações sociais, apesar dos desgastes e descrenças de grande parte da população nos seus representantes, em razão de reiteradas atitudes que enlameiam e fragilizam o verdadeiro papel da política e dos políticos, é motivo que pode mover os atuais representantes do povo para insistir em permanecer nos submetendo ao crivo do eleitor.

 

“O desgaste da vida política atinge a todos os que nela entra, e ele não é maior do que a vontade e o compromisso e a responsabilidade na construção de um Estado e uma nação mais justa, menos desigual e que tem foco na cidadania para todos aqui entendida como ‘direito de ter direito’”, acrescentou. Para ela, nesse início de mais um período legislativo, é procedente uma reflexão sobre o atual momento político.

 

E foi isso que a deputada Maria Mendonça fez em seu discurso. Na tribuna, ela disse que vivemos em Sergipe a crise da falácia verbal e com frequência se assiste aos clamores do povo por conta da carência e até inexistência de serviços básicos em todas as áreas das políticas públicas que, constitucionalmente, se constitui direito de todos e dever do Estado.

 

Entre essas carências ela citou a crise que vive a saúde, segundo ela a maior de todos os tempos. “Os Ministérios Públicos Federal e Estadual debruçam-se sobre a inoperância do poder público nesta área e o governo do estado, após interferência desses segmentos, divulga a aquisição de medicação da ordem de R$ 10 milhões e a população continua reclamando da falta de medicação, de equipamentos, de profissionais, das condições precárias de infraestrutura, de atendimento nos hospitais, postos de saúde, clínicas da família”, afirmou, ao questionar por que esperar zerar estoques e propagar a compra de medicação e até quando ela supre a carência histórica.

 

Já com relação à educação enquanto política que oportuniza a concretização do sonho do saber, do acesso ao conhecimento e ascensão social, a deputada disse que esta dorme no berço esplêndido das condições precárias das escolas, nos aspectos físicos, materiais, humanos e tecnológicos, refletindo um forte descompasso entre o que oferta e o que a sociedade exige. “Não dá para comemorar e festejar a chegada de computadores em algumas escolas eleitas como modelo ou selecionadas para experiência piloto. O computador já é equipamento necessário e indispensável. A escola, da forma como vem sendo tratada, tem promovido um apartaid educacional e inúmeras famílias se amontoam nas portas das mesmas, para garantir o acesso dos filhos naquelas que julgam melhores”, afirmou a deputada.

 

Segurança
No que se refere à segurança, Maria Mendonça disse que mais do que garantir a tranquilidade da população esta atua, via de regra, de forma ostensiva, porém na razão inversa das necessidades do Estado, dando alguma visibilidade ao poder de fogo da polícia e na sua capacidade para atuar sem, contudo, conseguir dar conta de ações de prevenção que assegurem à população o direito constitucional de ir e vir. “O reduzido número do efetivo policial é indicador da fragilidade da segurança pública e da insegurança da população. Aqui não falo dos policiais que trabalham e exercem dignamente as suas funções. Mas do descaso do governo em suprir a polícia de um efetivo que possa, concreta e objetivamente, garantir a segurança para todos”, destacou.

 

Segundo a deputada, o tráfico de drogas está disseminado e crianças e adolescentes são afastados da escolas e “arrastados” para o comércio de drogas, começando como usuários, depois como “aviões”, até que passem a atuar no tráfico, “ampliando esse nefasto comércio que cresce ceifando vidas e degradando famílias”.

 

Como consequência disso tudo, Maria Mendonça acrescentou que aumentam os crimes de assalto, ônibus deixam de circular, deixando a população que paga caro por transporte e paga seus impostos desassistida e ainda mais vulnerável. Ela citou ainda os crimes de explosões de caixas eletrônicos, que têm se tornado frequentes.

 

No cenário de caos relatado pela deputada, ela fez referência aos diversos grupos profissionais que se organizam em justas e reiteradas paralisações e greves por falta de cumprimento por parte do Estado de acordos ou mesmo por falta de reajuste salarial. “O Estado de Sergipe deve e não paga. Como trabalhar com salários que não são majorados ao menos como reposição de inflação? Como pagar transporte com passagens que são aumentadas e salário congelado? O salário do servidor público estadual parece mais um iceberg, cuja ponta começa a diminuir e o que fica submerso provoca estragos jamais vistos na história de Sergipe, gerando o caos administrativo, a insatisfação coletiva dos servidores, a indignação e revolta da população e a descrença na política e nos políticos”, declarou.

 

Esperança
Para a deputada Maria Mendonça, essas e outras questões igualmente importantes devem ser foco das ações dos deputados na Assembleia. Segundo ela, o povo, ainda que descrente e cansado, espera dos seus representantes não alianças que assegurem um positivo resultado eleitoral, mas atitudes que revelem o verdadeiro compromisso com mudanças que promovam a verdadeira cidadania.

 

“A cidadania da inclusão social, do acesso aos serviços públicos de qualidade, da segurança de ir e vir, do respeito à constituição quanto aos direitos salariais, transparência e prioridades administrativas, da erradicação dos acordos protecionistas e politiqueiros, da extinção do nepotismo, entre outros”.

 

Na avaliação da deputada, todos os pré-candidatos aos cargos eletivos devem estar atentos a estas e outras questões, afinal de contas, as manifestações pacíficas já sinalizaram para o perfil do político que o povo quer, que o Brasil precisa e o Estado de Sergipe clama. “É hora de mostrar serviço. Todos sabem do que estou falando. O povo está atento à história política de todos nós e saberá fazer escolhas. O discurso populista e descomprometido com o povo e suas necessidades e anseios poderá romper com o ciclo histórico dos que se consideram donos da verdade e das consciências populares”, afirmou.

Para Maria Mendonça, a falácia verbal perde força e a voz do povo ocupa o lugar que lhe pertence. “A história da pressão popular, consciente, livre e soberana será, nas eleições de 2014, um marco da retomada das liberdades democráticas e do poder popular”, finalizou.


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