Deputada Maria Mendonça registra passagem do Dia Mundial do Autismo

Em pronunciamento realizado no grande expediente da sessão desta terça-feira, dia 5, a deputada estadual Maria Mendonça (PSB) fez referência ao Dia Mundial do Autismo, ocorrido no último dia 2. A deputada informou que a data foi comemorada no mundo inteiro. Em várias cidades, monumentos foram cobertos com a cor azul turquesa, que é a cor do autista, a exemplo do Cristo Redendor, no Rio de Janeiro, o planalto Central, em Brasília, e a Torre Eiffel, em Paris, na França.

 Da tribuna, a deputada Maria Mendonça leu uma carta recebida de Ailton Francisco da Rocha, pai de uma filha autista. No texto, ele registra a história de vida de sua filha Laura, a quem carinhosamente chama de "Anjo Teimoso". "Uma jovem autista com vinte e poucos anos, de beleza incomum, cabelo volumoso e ondulado, pele morena e olhos castanhos amendoados. Pequena para a idade, mas grandemente graciosa", descreve-a. 

Na carta, o pai conta que o autismo foi descrito quase simultaneamente por Leo Kanner e Hans Asperger nos anos 40, mas o primeiro parecia vê-lo como um desastre consumado, enquanto o segundo achava que podia ter certos aspectos positivos e compensatórios - uma "originalidade particular de pensamento e experiência, que pode muito bem levar a conquistas excepcionais na vida adulta". 

O pai Ailton da Rocha relata que a causa do autismo tem sido motivo de discussão. Sua incidência é de um em mil, ocorrendo em qualquer lugar do mundo com características notavelmente constantes até nas culturas mais diferentes. "O autismo é um mistério sobre o qual a nossa ciência ainda sabe relativamente pouco", diz ele, acrescentando que passados os primeiros momentos da revelação de um problema sério, necessário se faz aprender a conviver com ele como se fosse algo natural. 

Ele diz que assim foi no caso, cujas limitações só foram diagnosticadas quando ela estava com três anos de idade, depois de vários exames e consultas com especialistas. Com a experiência de um pai que já tem uma filha autista com mais de 20 anos, Ailton fala que alguns jovens autistas, ao contrário das expectativas, podem conseguir desenvolver uma linguagem satisfatória, alcançar um mínimo de habilidades sociais e mesmo conquistas intelectuais. "O que sabemos de fato é que pessoas autistas não são simplesmente incapacitadas, muitas têm, na verdade, capacidade diferente". 

Sobre o fato de algumas famílias às vezes esconderem o filho portador de necessidades especiais, tentando evitar a discriminação e o preconceito, o pai fala que embora seja difícil enfrentar a incompreensão, a fuga não é o caminho certo. "É preciso olhar de frente quem de lado nos olha e mostrar que todos os seres humanos têm o direito a usufruir as coisas boas desse mundo. Podemos apenas especular que o autismo de Laura seja uma missão espiritual, um contrato de alma que ela fez para abrir os corações das pessoas para elas mesmas, para as outras e para Deus", conclui a carta.

 Fonte: Edjane Oliveira, da Agência Alese


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