Assembleia faz homenagem às mulheres no dia 8 de Março

Com uma Mesa formada pelas deputadas parlamentares e a secretária-adjunta da Secretaria Estadual de Políticas para Mulheres, Vânia Pereira, a Assembleia Legislativa lembrou o Dia Internacional da Mulher nesta quinta-feira com uma palestra da acadêmica da Universidade Federal de Sergipe (UFS), Maria Helena Santana Cruz. A uma platéia atenta, que contou com a participação do deputado estadual Gilson Andrade, e com distribuição de rosas pela equipe do deputado estadual Samuel Barreto, a professora abordou a trajetória de lutas das mulheres nas últimas décadas.


Para Maria Helena, o oito de Março deve ser comemorado mais como um marco da luta das mulheres pela garantia de seus direitos, uma homenagem às mulheres guerreiras. "Significa destacar as lutas femininas, a história da mulher no Brasil. A data foi conquistada com uma tragédia. Ao ser criada, não queriam apenas comemorar, o objetivo é sim discutir o papel da mulher na sociedade. Não se pode lembrar essa data como uma dia de comemoração, de distribuir flores e de cumprimentos apenas".


A professora da UFS disse que, mesmo com tantos avanços obtidos, a mulher ainda sofre com desvantagens e preconceito no mercado de trabalho, com a violência masculina e com remuneração desigual. "E a entrada da mulher no parlamento não foi fácil, foi preciso muita mobilização, protestos e muita luta. Durante muito tempo a mulher foi deixada de lado em decisões importantes neste país, oprimida e vista apenas como mera reprodutora"

Maria Helena mostrou em seu discurso os principais marcos de conquista da mulher ao longo da história e os avanços na sociedade. Segundo ela, o ingresso da mulher no mundo político-partidário foi formalmente conquistado a partir da década de 30, no século passado, e continua a ser um fator novo. "Na política, a participação feminina é desproporcional no mundo. Os homens são maioria nas esferas de poder do Estado Brasileiro", observou, lembrando que o Século 20 foi o primeiro em que a mulher passou a ser protagonista da história, se firmando na produção artística. "Mas ainda distante da igualdade de direitos".


"Há desigualdade na distribuição das tarefas domésticas, que ainda caem nas costas da mulher. Ela assume sozinha a chefia familiar Em espaços públicos ainda há o comando do homem. Quando chega a um cargo é porque essa atividade profissional perdeu a importância, e oferecem baixos salários", observou Maria Helena. Segundo ela, a mulher foi deixada de lado em muitas decisões importantes. "Por isso oito de março é o dia que lembra as desigualdades entre homens e mulheres e as conquistas que surgem dessa luta".


Agradecendo a participação da professora na sessão especial, a deputada estadual Susana Azevedo disse que ela estava trazendo um estudo detalhado da problemática da mulher. "Traz o conhecimento do que a senhora tem dessa questão. Agradeço mais uma vez sua presença, que nos honra, e pedir que a TV Alese transmita essa palestra durante a semana para que outras pessoas pudessem ouvir o que nos ouvimos hoje".


A deputada estadual Goreti Reis disse que era um privilégio ouvir tanta informação sobre a luta da mulher na sociedade. "Ouvimos aqui a história do movimento da luta da mulher que durante tanto tempo buscou galgar melhores posições na sociedade. A questão passa longe de guerra de sexos, é busca por salários dignos, espaços iguais", comentou a deputada.


Quem também destacou a participação da professora da UFS foi a deputada estadual Ana Lúcia. "Maria Helena traz a contribuição da academia para nós. A senhora contribui para a luta de grandes mulheres, pesquisadoras, e essa palestra é uma homenagem a vocês que deixam esse legado, professoras que contribuem nas áreas da cultura, da música, como Giselda Morais. Não é só pesquisar a área da antropologia, mas nos dar uma visão mais ampla da visão social".


Ana Lúcia disse ainda que tinha duas propostas a destacar aos colegas. "Precisamos corrigir é avançar nos seis meses para o pai. Essa diferença não pode ser tão grande. O pai passa apenas uma semana com o recém-nascido. Essa proposta é interessante. É importante o papel da escola e podemos produzir essa palestra e socializar. A Casa precisa publicar e mandar para todas as mulheres e estudantes nas escolas públicas e privadas", propôs.

Para a deputada estadual Maria Mendonça, a professora Maria Helena ofereceu uma aula na tribuna onde mostra o processo histórico da evolução da mulher na sociedade. "Esse papel é tão importante que nesse histórico apresentado a mulher sempre foi discriminada. A mulher demorou a conquistar o direito de voto. Ela exerce a mesma atividade que o homem, mas com remuneração diferenciada", disse. Está na Carta Magna, explicou Maria Mendonça, ao declarar que homens e mulheres têm o mesmo direito, "mas na prática não é bem assim. Por isso hoje nos colocamos numa luta por espaço, luta por uma sociedade justa e solidária".


Já o deputado Gilson Andrade, único parlamentar homem participando da sessão, disse que mesmo agora é possível que a sociedade continue machista. "A mulher deveria ter ocupado esses espaço há décadas atrás, mas só consegue através de lutas. Nesse tempo muito se avançou com lutas. Esse Poder aqui é uma prova, com tantas mulheres parlamentares. Hoje temos cinco deputadas". Segundo ele, um exemplo é a presidência da República, ocupada por uma mulher. É preciso ocupar espaços, mas sem salários inferiores".

Dilson Ramos, Agência Alese

foto: Maria Odília

 

 


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